05 outubro 2013

DEU TRANSMISSÃO DIRETA NA TEVÊ

Marina Natura da Silva joga a rede no PSB, Konder Bornhausen & Heráclito Fortes (recém ex-DEM)  
A Direita alimenta e afaga o Ego de Marina, como se fosse uma proeminente liderança, o que não é, tem pesadas limitações políticas e de compreensão da sociedade, vive de um messianismo de uma bandeira única, o verde (??). Marina é útil demais à Direita, segundo o raciocínio binário, ela pode repetir os votos de 2010, abrindo a possibilidade de um segundo turno, além de jogar força para derrotar o governo do PT, em último caso sendo alternativa ao próprio Aécio, se este não decolar.
Sua filiação ao PSB é apenas parte deste triste enredo, recentemente também tinham se filiado ao partido a Família Fascista Bornhausen e Heráclito Fortes , todos da extrema-direta do DEM, quer dizer que a pessoa que dizia fazer “política diferente” contra os conchavos e acordos espúrios, Marina Kaiowá de Calcutá SA, por pressão dos seus ricos apoiadores, segundo o Estadão, Itaú e Natura, acaba nos braços,  olha que irônico da Família Bornhausen, Heráclito sapo-boi Fortes, e todo o conjunto de direitistas raivosos, desmatadores juntos com a “rainha” verde, bem, Evangeverde criacionista.
http://arnobiorocha.com.br/2013/10/05/o-caminho-coerente-de-marina-kaiowa-de-calcuta-sa/

20 setembro 2013

SOBRE A EXPULSÃO DO PT E SEUS MILITANTES DO BLOCO DE LUTAS PELO TRANSPORTE PÚBLICO

A primavera não esquecerá de seus filhos, jamais

NOTA DA JUVENTUDE DO PT-RS


Dia 17/09, participamos da nossa última “Assembleia do Bloco de Lutas pelo Transporte Público”, uma organização criada no início de cada ano para tentar barrar o aumento das passagens de ônibus, da qual a militância do Partido dos Trabalhadores sempre participou. No entanto, este ano o processo foi diferente. Fortes mobilizações se avolumaram no final de 2012, formando protestos com unidade real, que criaram um novo cenário para as discussões e organização do Bloco. Convém salientar que os rodoviários Cutistas, foram os percursores e propulsores deste crescente movimento, articulado inclusive lutas em outros municípios e estados, iniciamos ainda no ano passado (Dezembro) encontros sistemáticos com o bloco, em espaços como: - Utopia e Luta, SIMPA, entre outros espaços.

Quando surgiram as jornadas de Junho, em Porto Alegre já estávamos nas ruas há mais tempo e tínhamos conquistado vitórias, barrando o aumento da passagem e dando projeção à luta a partir de uma unidade de ação, com a participação efetiva de militantes da JPT e rodoviários petistas.

As mobilizações mostraram a efervescência de uma juventude que quer participar da política, mas que não se sente representada pelas estruturas tradicionais de poder. Neste período de avanços, o Bloco de Lutas tinha como princípio, e na sua essência, um espaço de unidade de ação, uma estrutura aberta, democrática, participativa e horizontal, com a qual aprendemos muito.

Ao mesmo tempo outros movimentos sociais também se reanimaram a sair às ruas e assim foram organizadas as paralisações nacionais das centrais sindicais dos dias 11 de julho e 30 de agosto. A Juventude do PT, pela relação histórica com a CUT, também obteve tarefas nessas mobilizações, quando estivemos nas garagens de ônibus junto com a oposição dos rodoviários, fortalecendo a luta da classe trabalhadora.

A JPT sempre esteve na construção do Bloco de várias formas, através da militância em espaços como sindicatos, movimentos sociais etc. Na luta pelo transporte 100% público, articulamos forças e construímos unidade de ação para pressionar todos os governos, inclusive os nossos, e fazer com que os ricos pagassem a conta. A Bancada de Vereadores e o PT, fomentados pela sua Juventude, realizaram nesse período inúmeros debates, tendo como resultado um projeto de lei em tramitação, que prevê Transporte 100% Público.

Construímos a vitoriosa Ocupação da Câmara de Porto Alegre, dialogando com nossa ampla rede de apoiadores para o suporte necessário, desde alimentação, estrutura e assessoria jurídica do movimento, contando também com apoio político e estratégico de nossa bancada de vereadores na realização do diálogo. Participamos da construção dos projetos de lei do Bloco, mesmo avaliando que eram limitados comparados ao projeto da nossa Bancada de Vereadores e, pela valorização da construção coletiva, apoiamos!

Com independência e sem amarras, não medimos esforços para realizar assembleias e atos democráticos, plurais e combativos, disputando a consciência e adesão da sociedade para a pauta do transporte público e para a importância de ir às ruas construir uma democracia verdadeira e participativa.

Jamais nos furtamos de marchar em frente ao Palácio, onde construímos um grande ato e inclusive fizemos a relação com outros movimentos sociais que também tinham ato marcado para se somar e apoiar o Bloco. Tampouco fizemos falas individuais ou coletivas no sentido de “frear o ímpeto combativo” do movimento.

Estávamos na Praça da Matriz no dia da violenta agressão aos indígenas, totalmente descabida e injustificável. Emitimos nota pública condenando estas ações, reivindicando a desmilitarização da polícia e exigindo que o governo fizesse a opção política pela demarcação das terras dos povos tradicionais. Não foi a primeira vez que a Brigada Militar agiu com truculência e arbitrariedade. Desde o primeiro momento em que isso aconteceu pautamos o problema internamente no partido e publicamente, pelo dever de disputar os rumos dos nossos governos.

Ressaltamos que a cultura política do autoritarismo é incompatível com a democracia, que a instituição Brigada Militar age com autonomia tendo grande disputa com setores da direita, ao mesmo tempo não se pode atribuir a um único governo a responsabilidade pela postura de uma instituição militar nacionalmente organizada, que ainda comemora a “Revolução de 64” todo o dia 31 de março, também não podemos aceitar qualquer grau de conivência com tais posturas. Essa é uma luta permanente e orgulha-nos o enfrentamento feito no Governo Olívio Dutra aos excessos da BM, quando foram inseridos novos conceitos de policiamento cidadão, unificação das polícias e a alteração no Regimento Disciplinar da Brigada Militar, além do projeto de Lei que prevê o fim da Justiça Militar.

Ficou nítido o esvaziamento político do Bloco, abandonaram a pauta do transporte e do Passe Livre. Vínhamos propondo a retomada da pauta do Transporte 100% público, pois diante de tantos temas o Bloco foi instrumentalizado pelo oportunismo de forças políticas como PSOL e PSTU, simplesmente para criar o símbolo do anti-petismo internamente. Havia a proposta de um seminário para definição da plataforma política, temos dois projetos protocolados na Câmara, tem uma CPI que criminaliza o movimento, e cadê o Bloco? Há tempos estas forças esvaziaram os espaços de elaboração política. Antes de proporem a expulsão somente dos petistas, o Bloco tentou expulsar outros movimentos sociais como o MST e o Levante Popular da Juventude, usando como argumento a relação de diálogo que eles possuem com o governo, coisa que o próprio Bloco realizou. Não obstante as nossas contribuições, até então sempre bem-vindas, construídas, sem exceção, de forma democrática e horizontal, houve um argumento intransponível nas falas de expulsão mais indignadas.
Agora começa uma infeliz batalha de versões sobre o episódio da nossa expulsão. A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente ao denunciar supostas “manobras internas” dos petistas que sempre construíram o movimento.

O pretexto para a expulsão dos petistas foi a utilização de uma imagem na qual aparecem integrantes do Bloco de Lutas durante uma reunião oficial com o governador Tarso Genro em um vídeo institucional do PT. Nunca foi discutida, porém, a utilização de imagens das mobilizações do Bloco de Lutas por outras forças políticas e partidos.

A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente ao afirmar que não temos posturas críticas. Sobre o vídeo, a JPT propôs nessa mesma assembleia que, caso alguém se sentisse lesado, seria o caso de discutir uma nota pública de repúdio ao uso da imagem e, juridicamente, uma ação questionando sua utilização.

Fomos expulsos do Bloco por sermos radicalmente democráticos, já que enfrentamos a contradição de ser governo e cobrar do próprio governo maiores avanços. Fomos expulsos por aqueles que dizem que são libertários, mas usaram do autoritarismo para se sobrepor à política. Nos condenaram e nos expulsaram por sermos filiados e construtores do Partido dos Trabalhadores.
Em nada mudaram os motivos que nos fizeram construir a unidade de ação pelo transporte 100% público e pelo Passe Livre (pauta que o próprio Bloco esqueceu). Lembramos que, inclusive, foi aprovado o Passe Livre Estadual para estudantes gaúchos no mesmo dia em que resolveram nos expulsar.

Não aceitamos que o Bloco tenha se transformado, pela vontade de algumas personalidades mais sectárias, em espaço para julgamento de acertos e equívocos do PT. Não aceitamos a demonização do PT. Acreditamos que o Partido dos Trabalhadores ainda é a principal ferramenta da classe trabalhadora. Não perdemos a perspectiva da crítica, mas sabemos enxergar os avanços que tivemos nesses 10 anos de governo, e temos claro que as mobilizações de junho foram fruto desses avanços, pois entendemos que a população e os jovens querem mais.

Os Rodoviários Cutistas (RodoCUT), que sempre foram a favor da democratização do bloco e pelo verdadeiro apoio social assinamos conjuntamente este documento, pois nos inserimos dentro deste espaço com a finalidade de buscar o bem comum a toda a nação. Compreendemos que não existe luta de um soldado só se existem falhas é porque existe espaço para o crescimento.

A militância petista seguirá nas ruas, de onde nunca saiu, construindo espaços democráticos e ferramentas de articulação de lutas sociais e de unidade de ação verdadeira, sem hipocrisia e sectarismo. Criando espaços para aqueles que querem construir uma sociedade mais justa e igualitária, que lutam contra todas as formas de opressão, por uma sociedade socialista, feminista e democrática! Viva o PT, Viva a classe trabalhadora!


Juventude do Partido das/dos Trabalhadores/RS
Rodoviários Cutistas / RodoCUT

01 setembro 2013

Carta aos médicos cubanos

David Oliveira de Souza

Link para mp3

Bem-vindos, médicos cubanos. [

Vocês serão muito importantes para o Brasil. A falta de médicos em áreas remotas e periféricas tem deixado nossa população em situação difícil. Não se preocupem com a hostilidade de parte de nossos colegas. Ela será amplamente compensada pela acolhida calorosa nas comunidades das quais vocês vieram cuidar.
A sua chegada responde a um imperativo humanitário que não pode esperar. Em Sergipe, por exemplo, o menor Estado do Brasil, é fácil se deslocar da capital para o interior. Ainda assim, há centenas de postos de trabalho ociosos, mesmo em un idades de saúde equipadas e em boas condições. 

Caros colegas de Cuba, é correto que nós médicos brasileiros lutemos por carreira de Estado, melhor estrutura de trabalho e mais financiamento para a saúde. 

É compreensível que muitos optemos por viver em grandes centros urbanos, e não em áreas rurais sem os mesmos atrativos. 

É aceitável que parte de nós não deseje transitar nas periferias inseguras e sem saneamento. 

O que não é justo é tentar impedir que vocês e outros colegas brasileiros que podem e desejam cuidar dessas pessoas façam isso. Essa postura nos diminui como corporação, causa vergonha e enfraquece nossas bandeiras junto à sociedade.
Talvez vocês já saibam que a principal causa de morte no Brasil são as doenças do aparelho circulatório. 

Temos um alto índice de internações hospitalares sensíveis à atenção primária, ou seja, que poderiam ter sido evitadas por um atendimento simples caso houvesse médico no posto de saúde.
Será bom vê-los diagnosticar apenas com estetoscópio, aparelho de pressão e exames básicos pais e mães de família hipertensos ou diabéticos e evitar, assim, que deixem seus filhos precocemente por derrame ou por infarto. 

Será bom vê-los prevenindo a sífilis congênita, causa de graves sequelas em tantos bebês brasileiros somente porque suas mães não tiveram acesso a um médico que as tratasse com a secular penicilina. 

Será bom ver o alívio que mães ribeirinhas ou das favelas sentirão ao vê-los prescrever antibiótico a seus filhos após diagnosticar uma pneumonia. O mesmo vale para gastroenterites, crises de asma e tantos diagnósticos para os quais bastam o médico e s eu estetoscópio. 

Não se pode negar que vocês também enfrentarão problemas. A chamada "atenção especializada de média complexidade" é um grande gargalo na saúde pública brasileira. A depender do local onde estejam, a dificuldade de se conseguir exame de imagem, cirurgias eletivas e consultas com especialista para casos mais complicados será imensa. Que isso não seja razão para desânimo. A presença de vocês criará demandas antes inexistentes e os governos serão mais pressionados pelas populações.
Para os que ainda não falam o português com perfeição, um consolo. Um médico paulistano ou carioca em certos locais do Nordeste também terá problemas. Vai precisar aprender que quando alguém diz que está com a testa "xuxando" tem, na verdade, uma dor de cabeça que pulsa. Ou ainda que um peito "afulviando" nada mais é do que asia. O útero é chamado de "dona do corpo". A dor em pontada é uma dor "abiudando" (derivado de abelha). 

Já atuei como médico estrangeiro em diversos países e vi muitas vezes a expressão de alívio no rosto de pessoas para as quais eu não sabia dizer sequer bom dia - situação muito diferente da de vocês, já que nossos idiomas são similares.
 
O mais recente argumento contra sua vinda ao nosso país é o fato de que estariam sendo explorados. Falou-se até em trabalho escravo. A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), com um século de experiência, seria cúmplice, já que assinou termo de cooperação com o governo brasileiro.
 
Seus rostos sorridentes nos aeroportos negam com veemência essas hipóteses. Em nome de nosso povo e de boa parte de nossos médicos, só me resta dizer com convicção: Um abraço fraterno e muchas gracias

__________________________
DAVID OLIVEIRA DE SOUZA, 38, é médico e professor do Instituto de Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. Foi diretor médico do Médicos Sem Fronteiras no Brasil (2007-2010)

29 agosto 2013

FORA DAQUI O FMI!

Pressões do FMI e concorrentes ameaçam aportes do Tesouro para bancos públicos.
Fundação Perseu Abramo - FPA Informa 42

Os bancos públicos brasileiros estão sendo alvo de uma grande pressão de organismos internacionais e de seus concorrentes nacionais para que o Tesouro Nacional reduza os repasses e a capitalização destas instituições, sob a alegação de que tais aportes implicariam em piora dos resultados fiscais do governo. O FMI recomentou explicitamente ao Brasil que reduza a política de empréstimos aos bancos públicos, e o ministério da Fazenda já sinaliza com uma mudança na estratégia da Caixa, sinalizando com a desaceleração da concessão de créditos as grandes empresas. Os principais beneficiários de tais discussões, os bancos privados nacionais, pressionam por tais medidas, que futuramente poderão incluir o BNDES entre seus alvos.

Análise de Guilherme Mello, Economista.
O discurso contrário ao papel dos bancos públicos no Brasil não é novo, sendo um dos argumentos utilizados pelos economistas liberais para explicar as altas taxas de juros brasileiras. Na realidade, os bancos públicos tiveram um papel central no momento de superação da crise de 2008 e na recente batalha pela redução dos spreads bancários, o que elevou sua rentabilidade, reduziu a inadimplência, aumento sua participação no mercado bancário e causou um enorme desconforto nos seus congêneres privados. Além disso, seu crescimento só foi possível por que os bancos privados não aceitam financiar a taxas de juros civilizadas os investimentos de longo prazo necessários, abrindo enorme campo para o avanço dos bancos públicos no financiamento às grandes empresas (e mesmo no financiamento ao consumidor, que encontra taxas de juros estratosféricas no que depender da “concorrência” dos bancos privados nacionais) O argumento de que os aportes do Tesouro aos bancos públicos compromete a situação fiscal do país é falaciosa, já que os aportes são compensados com a remessa de dividendos e lucros destas instituições ao Tesouro Nacional, em uma espécie de operação meramente contábil. Não sendo empresas de capital aberto, a forma de captação de recursos e ampliação da carteira de crédito dos bancos públicos exige a capitalização do Estado (seu controlador), sob a pena de não se adequarem aos critérios regulatórios do acordo da Basiléia. Defender a redução dos aportes do Tesouro aos bancos públicos é, na realidade, discutir o papel central destes bancos no mercado de crédito de longo prazo no Brasil, que não encontra oferta suficiente dos bancos privados. Ou seja, reduzir os aportes e os empréstimos dos bancos públicos implica em deixar na mão dos bancos privados o papel de financiamento do desenvolvimento nacional. Em tempos de crise e de retração da concessão de crédito, tal ação pode custar caro ao desenvolvimento brasileiro no médio/longo prazos.

05 março 2013

Venceremos!

LA DEMONIZACIÓN DE CHAVEZ - por EDUARDO GALEANO

Eduardo Galeano – Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la "Venezuela Saudita" por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir "Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos". Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo. Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres. En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.

15 fevereiro 2013

ABAIXO A CENSURA (DE NOVO!)


Será que a "grande mídia" cobrirá essa caso de censura? Pouco provável...

Na quarta-feira, dia 20, justiça decidirá se o site de humor Falha de S.Paulo continuará censurado

14/02/2013
Falha_de_SP_Otavinho
O logotipo proibido e Otavinho Vader, uma de nossas fotomontagens originais.
Lino Bocchini, via Desculpe a nossa falha
O disputa jurídica Folha × Falha vai ser julgada em 2ª instância na quarta-feira, dia 20, pela 5ª turma de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Você pode se perguntar: “Ótimo, sorte pra vocês. Mas o que essa briga da Folha com a Falha tem a ver comigo?”. Tudo. É fácil entender, por gentileza perca mais dois minutos e leia esse texto até o final. Segundo o próprio juiz de 1ª instância, Gustavo Coube de Carvalho, trata-se de um caso sem precedentes no Brasil. Nunca antes um grande veículo conseguiu tirar do ar judicialmente um site ou blog que o criticasse. Na ausência de jurisprudência em solo nacional, o magistrado chegou a citar casos dos EUA, onde, aliás, paródias assim são permitidas.
A alegação central da empresa da família Frias é a de que a Falha fazia “uso indevido da marca”, e que o logotipo e o nome registrado eram parecidos demais com os originais. Acontece que para toda blogosfera nacional, para a organização Repórteres sem Fronteiras, pro relator da ONU para a liberdade de expressão, para o Financial Times e outros veículos internacionais de peso, proMarcelo Tas, para Financial Times e outros veículos internacionais de peso, pro Marcelo Tas, para deputados federais de dez partidos, pro Gilberto Gil e até para Julian Assange, paródias e críticas como as feitas pela Falha não são motivo para censurar ninguém.
de dez partidos, pro Gilberto Gil e até para Julian Assange, paródias e críticas como as feitas pela Falha não são motivo para censurar ninguém.


Há quase 100 anos, Barão de Itararé satirizou o jornal A Manhã criando a A Manha. De lá pra cá, dezenas de outros casos, no Brasil e no exterior, foram na mesma linha – lembra da Bundas de Zirado, que parodiava a Caras? E, desde os tempos do Barão de Itararé, ninguém censurou ninguém. Mas aí vieram os barões de Limeira.

Estamos fora do ar a pedido do jornal desde outubro de 2010, com uma ameaça de multa diária de R$1 mil caso voltemos. O juiz que concedeu a liminar foi até “bonzinho”: o pedido original da Folha era de uma multa de R$10 mil por dia se continuássemos no ar com nossas críticas. Esse site, o Desculpe a Nossa Falha, não contém nada do que estava no site original. Em 1ª instância, o final da censura foi negado, e agora vamos ao segundo round. A decisão final abrirá uma jurisprudência, ou seja: em casos semelhantes no futuro, os juízes devem basear sua decisão em um caso anterior semelhante já julgado em definitivo. O que for decidido na batalhaFolha × Falha vai balizar decisões futuras. E é aí que mora o perigo.

Angeli_WikiLeaks
Precedente perigoso: essa charge do Angeli, publicada na Folha poucos dias após sairmos do ar, poderia ser censurada pelo McDonald’s, utilizando-se dos mesmíssimos argumentos que o jornal usou contra nós.

O embate central é entre a versão da Folha, que pratica censura travestida de proteção à marca versus a versão da fAlha, que evoca a liberdade de expressão. Em caso de vitória do jornal, o precedente que se abre é tão grave que joga contra a própria empresa, que poderá ser processada e condenada em publicação de algumas charges ou colunas do Zé Simão, por exemplo. A própria advogada Taís Gasparian, que assina o processo de 88 páginas contra nós (irmãos Mário e Lino Bocchini), em 2009, fez outra avaliação. Ao defender José Simão contra um processo que tentava censurá-lo, escreveu: “Tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura.” Assinamos embaixo.

Defesa pública da censura

O julgamento da quarta-feira, dia 20, será interessante. Começará às 9 horas e haverá sustentação oral dos advogados de cada parte. Será a primeira vez, desde o começo do processo, que algum representante da Folha vai falar, defendendo a censura publicamente. Qualquer um pode assistir, é só estar na 5ª turma do TJ/SP às 9 horas. A presença da imprensa também é permitida, naturalmente. E, a exemplo do julgamento do chamado “mensalão”, seria muito interessante uma transmissão ao vivo, mas, para isso, algum veículo de imprensa tem que solicitar ao TJ, e o mesmo deve autorizar.

Por fim, um pedido singelo: por favor ajude-nos a divulgar o caso. Reproduza esse texto em seu blog, Facebook e Twitter. Ou então escreva sobre o tema com suas próprias palavras. Se animar, de repente, vá acompanhar o julgamento ao vivo.

Por motivos óbvios, a imprensa convencional irá ignorar o caso. Daí nosso apelo. Obrigado.

SERVIÇO

Sessão de julgamento da Folha × Falha

Data: 20 de fevereiro, quarta-feira

Horário: 9 horas

Local: Palácio da Justiça de São Paulo

Endereço: Praça da Sé, s/nº, 5º andar, sala 511

Lado esquerdo das escadarias da Estação Sé do Metrô

03 fevereiro 2013

Solidariedade para a ação coletiva consciente


 Há grupos distintos com interesses vários, de humanitária e ação solidária, na especulação financeira, no oportunismo político institucional ou marginal, na exploração de tragédia onde no mundo ocorra.

A gota d'água na Nicarágua foi a apropriação privada da ajuda internacional lá chegada para socorro às vítimas do terremoto em Manágua em 1972(*) pela famiglia Somoza, Anastácio, depois Tachito à frente dos poucos donos daquele rico país.



23 janeiro 2013

Para seu atento juízo crítico

Pronunciamento da presidenta Dilma à Nação anuncia redução dos preços das tarifas de energia doméstica, industrial, rural e de serviços em índices ainda maiores que o previsto e faz balanço e projeção positivos da situação do desenvolvimento do setor elétrico. Ao final, faz uma convite às pessoas que tem fé e amam o Brasil. Clique aqui para ver.

24 dezembro 2012

dura lex em pasta mole

Um grave equívoco de ingênuos ou hipócritas (fico sempre com o benefício da dúvida ao indigitado, ainda que derrogado o ônus da prova e que tentem revogar a república na unha grande) é atribuir sinal de bem ou mal, positivo ou negativo à co...nduta da pessoa a partir do gênero, da orientação sexual, da cor da pele (raça ou etnia, seja como queiram), da circunstância ou condição física, da origem de classe ou da formação escolar que tenha. Principalmente nos tempos que correm (ainda faltam algumas horas pra o mundo esse acabar de vez... na Austrália e no Japão e países mais ao Oriente do nosso já acabou), na nossa atualidade geracional, no milênio novo que deixa de ser criança em 31 de dezembro desse ano pleno de gracinhas de 2012, as pessoas, em esmagadora maioria, continuam tendo juízo (consciência, arbítrio) e bolso. Umas, sabe-se, ad nauseam, tem mesmo o bolso maior que o juízo... e não é pela epiderme assim ou assada que são boas ou más, mal ou bem intencionadas, até porque, o que é bom pra alguns é não pra outros. A plutocracia sabe bem, e seus defensores assalariados, apaniguados ou acólitos embevecidos mais ainda, a força do carvão de pedra. Molhado não queima, não acende fogo em cachoeira.

19 outubro 2012

Na defesa da propriedade privada da informação, novo presidente da SIP ataca Assange


[Sincronicidade pura: Assange está asilado na embaixada do Ecuador, em  Londres, observação minha. Pra não pagarem o vale do mocinho rico à direita furiosa, a imprensa grande do nosso querido Brasil Varonil calou. O discurso do reacionário proprietário da informação parece ter acontecido em Marte para mercurianos, sugeriu-me colega uma, um tanto ainda preocupada com o direito da sociedade à informação, essa coisa de jornalismo do milênio passado.]


Publicado originalmente em Carta Maior, por Bia Barbosa.


Os jornais brasileiros omitiram as declarações do recém-empossado presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa em sua cobertura sobre o evento. O artigo é de Bia Barbosa.

A 68ª Assembléia Geral da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) terminou nesta terça-feira (17) em São Paulo. Depois de cinco dias de muitos ataques dos donos e editores do principais jornais do continente às iniciativas de governos que buscam quebrar o monopólio dos meios de comunicação de massa na região, a SIP elegeu sua nova diretoria, que estará à frente da entidade por dois anos.

Apesar de não ter vindo a São Paulo, o novo presidente eleito foi o jornalista Jaime Mantilla Anderson, presidente executivo do jornal diário diario HOY, de Quito, o terceiro em circulação no Equador. Ele substitui o norte-americano Milton Coleman, ex-editor do The Washington Post, que presidiu os trabalhos da 68ª Assembléia Geral, e fez seu discurso de posse através de videoconferência.

Depois de declarar que assume a presidência "em um momento perigoso" para a imprensa na América Latina, em função de governos que "dificultam o livre trabalho jornalístico", Mantilla explicitou sua visão sobre jornalismo livre. E finalmente tocou em um assunto evitado durante todo o evento em São Paulo: a perseguição política sofrida por Julian Assange, fundador do Wikileaks, que pediu asilo na embaixada do Equador em Londres para evitar extradição a seu país de origem, onde corre o risco de um julgamento político em função das denúncias que fez contra inúmeros governos, sobretudo o dos Estados Unidos.

Eis sua visão dos fatos: "A imprensa independente no Equador continua acossada por um governo que, da porta pra fora, anuncia sua defesa irrestrita da liberdade de expressão de um indivíduo hábil e irresponsável que conseguiu informações de maneira fradudulenta, e a distribuiu em todo o mundo, revelando manobras obscuras de embaixadas e governos, em um ato que rompe as bases do jornalismo honesto, no Equador se desrespeita totalmente o direito humano de sonhar, se espressar e compartilhar diferentes visões da realidade", acusou Mantilla. Inexplicavelmente, o ataque do novo presidente da SIP contra Julian Assange não apareceu na cobertura de nenhum grande veículo brasileiro presente ao evento.

Empresário-jornalista

Amante de golfe, automobilismo e motociclismo, Jaime Mantilla Anderson foi condenado por injúria no final de 2011, em uma ação movida pelo presidente do Banco Central do Equador, Pedro Delgado. As artilharias do jornal, cuja linha editorial é assumidamente de direita, se intensificaram contra o Presidente Rafael Correa. Pedro Delgado é primo do Presidente. Posteriormente, ele retirou o processo.

O jornal HOY integra um grupo de comunicação equatoriano, todo dirigido por Mantilla, que possui também a HOY TV, um canal UHF; a Radio Clássica 1110 AM Digital; os jornais MetroHoy e MetroQuil (periódicos de distribuição gratuita nas cidades de Quito e Guayaquil); o tablóide Popular, especializado em esportes; e que edita e distribui no país o Miami Herald e a revista Newsweek. Ainda integram o grupo HOY a editora Edimpres, a Edisatélite, as empresas Sistemas Guía S.A. e Publiquil S.A, a Fundação HOY para a Educação, e o Explored, um arquivo digital de notícias propagandeado como "a base de dados mais completa do país".

Para quem comanda tantos veículos num país pequeno como o Equador chega a ser curioso afirmar que a tendência de muitos governos é "uniformizar o pensamento dos cidadãos livres e eliminar as expressões contrárias", como disse Mantilla em seu discurso virtual de posse. O empresário-jornalista lamentou ainda que os intelectuais da América Latina não tenham se posicionado - como a SIP - contra certos governos latino-americanos.

"Os intelectuais do mundo, e os da América Latina tem sido tradicionalmente os pais da defesa das liberdades. Seus pensamento guiaram muitas rebeliões contra poderes e governos ditatoriais e populistas. É lamentável descobrir que muitos desses pensamentos rebeldes ou desapareceram ou se entregaram à defesa dos atropelos dessas mesmas liberdades que antes defendiam", discursou Mantilla.

O relatório final da Assembleia Geral da SIP concluiu o evento criticando mais uma vez os governos dos presidentes Rafael Correa, Hugo Chávez e Cristina Kirchner de "tentar silenciar o jornalismo independente" por meio de leis regulatórias, discriminação na distribuição da publicidade oficial e "uso de aparatos midiáticos estatais e privados" para "difamar jornalistas".

24 agosto 2012

Juiz eleitoral obriga RBS a veicular programa da Frente Popular

A RBS foi condenada pelo juiz Eduardo Augusto Dias Bainy, da 112ª Zona Eleitoral, a transmitir na manhã deste sábado (25), dentro de sua programação própria de rádio, o programa eleitoral da Frente Popular em Porto Alegre que, ilegalmente, a empresa havia censurado na quinta-feira (23). Sequer juizes têm poder para exercer censura prévia à propaganda eleitoral.

Como a RBS é responsável pela geração do horário eleitoral gratuito para Porto Alegre, todas as demais emissoras de rádio sofrerão o prejuízo econômico de transmitir, em espaço de sua própria programação, a propaganda eleitoral das duas coligações (PT-PTC-PPL e PR-PV-PRTB) que apoiam o candidato a prefeito da capital Adão Villaverde (PT).

A Frente Popular também pediu direito de resposta a declarações de apresentadores da Rádio Gaúcha, que afirmaram que a não exibição do programa eleitoral havia sido culpa da própria coligação. Esta parte da representação ainda não foi julgada pelo juiz eleitoral.

Além da censura ao programa de rádio, a RBS havia decidido não veicular também o programa na televisão, baseando-se em um parecer de seu departamento jurídico. A reação imediata da coordenação da campanha de Villa provocou um recuo da emissora e o programa foi veiculado, “mas a postura da empresa prejudicou efetivamente a coligação e cria um ambiente de incerteza que não pode continuar", enfatiza nota divulgada pela coordenação geral da campanha.
O juiz Eduardo Augusto Dias Bainy não aceitou as alegações da RBS de que teria havido “erro técnico” da Frente Popular. A coordenação da campanha provou haver cumprido todas as normas e critérios legais, tendo entregue o programa à Rádio Gaúcha com antecedência de 90 minutos antes do horário em que deveria ter sido exibido.

Da tribuna da Assembleia Legislativa, na quinta-feira (23), o presidente estadual do PT, deputado Raul Pont, repudiou a ação ilegal da RBS. "É uma situação inaceitável e retrata o ponto a que chegamos e o grau de impunidade e de censura que os grandes meios de comunicação se arvoram. É inadmissível que a empresa se julgue no papel de censor, dizendo o que deve ou não ser veiculado", criticou.

Paulo de Tarso Riccordi
coordenador de  Comunicação bancada do PT
Assembleia Legislativa RS

25 julho 2012

Tudo está no seu lugar, apesar do ranger de dentes, o choro é livre

José Serra acusou o PT de sustentar “uma tropa nazista” na internet e destila seu ódio contra o que ele considera “blogs sujos”. Veja disse o que pensa o protegido dos jornalões, como se saído de um banho de cachoeira, durante palestra para saudosos da ditadura.
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/07/serra-quer-censurar-blogosfera.html

15 fevereiro 2012

Aeroportos, concessão tática, dilema estratégico.


Muito além da semântica

publicado em 13/02/2012
Por Valter Pomar
A concessão dos aeroportos gerou um debate entre os tucanos, que comemoram a suposta adesão do PT às privatizações, versus alguns petistas, que negam qualquer semelhança entre “conceder” e “privatizar”.
Neste debate, alguns não estão falando toda a verdade.
Concessão é uma modalidade de privatização. Privatizar não é apenas vender o patrimônio; pode ser também conceder seu uso por determinado tempo, sob determinadas condições. Negar isto é um revelador “ato falho”, típico de quem no fundo sabe que está fazendo algo problemático.
Por outro lado, os tucanos sabem muito bem a diferença entre as privatizações que eles fizeram versus o que foi feito em governos petistas, ontem e hoje. No caso em tela, há pelo menos três diferenças.
Primeiro, embora a concessão seja uma modalidade de privatização, trata-se de uma modalidade distinta da transferência de patrimônio, especialmente quando feita em troca de nada, como os tucanos fizeram com a Vale do Rio Doce.
Segundo, os tucanos fizeram privataria, uma “etapa superior da privatização”, na qual os envolvidos tornaram-se muito ricos…
Terceira e decisiva diferença: para o PSDB, as privatizações constituem parte essencial de uma estratégia neoliberal de desenvolvimento e de um modelo de sociedade dominada pelos “mercados”.
Nestes dois terrenos (papel do Estado e do capital privado na estratégia geral de desenvolvimento e no modelo de sociedade), o PT e PSDB estavam e estão em posições opostas.
Apesar de governos encabeçados por petistas, tanto agora quanto em momentos anteriores, terem patrocinado terceirizações, concessões e até mesmo venda de patrimônio público, um exame honesto do conjunto da obra mostra que existem diferenças de fundo entre PT e PSDB.
Os tucanos conferem ao capital privado papel decisivo. Já o PT defende que o Estado tenha papel central, tanto na estratégia de desenvolvimento quanto no modelo de sociedade.
Estas e outras diferenças entre PT e PSDB seguirão existindo, ao menos enquanto um dos partidos não mudar de classe social.
Se isto que falamos até agora for verdadeiro, o debate no interior do PT sobre a concessão dos aeroportos deveria tratar dos aspectos estratégicos e táticos da questão.
Do ponto de vista tático, a concessão foi economicamente desnecessária e politicamente incorreta.
Economicamente desnecessária, porque o Estado dispunha e dispõe dos meios gerenciais e financeiros para realizar a modernização, ampliação e administração dos aeroportos. E para atrair o capital privado, havia alternativas melhores do que a concessão.
Politicamente incorreta, porque a concessão facilitou o ataque da mídia e da oposição, que busca sair das cordas e nos arrastar para a vala comum das privatarias, acusando ao PT e ao governo de estelionato, incoerência etc.
Do ponto de vista estratégico, a opção pela concessão confirma que estamos diante de um dilema.
Como dissemos antes, nem o PT, nem o governo Dilma são partidários de uma estratégia privatizante. Mas…
Mas como não conseguirmos fazer uma reforma tributária; como as taxas de juros continuam altas; como estamos demorando a adotar medidas macroeconômicas que nos protejam do agravamento da crise; logo…
Logo será cada vez maior a carência de recursos para o país continuar crescendo com ampliação das políticas sociais. E frente a um cobertor curto, será cada vez maior a tentação oferecida por falsas alternativas, tão ao gosto dos tucanos, como privatizações de variadas modalidades, reformas conservadoras da previdência, orçamentos insuficientes para as políticas sociais etc.
O dilema consiste nisto: ou percebemos que para uma nova situação é necessária uma nova estratégia, e conseguimos a força necessária para fazer mudanças de fundo, ou seremos empurrados para aquelas situações aparentemente sem saída, nas quais somos levados a escolher o mal menor.
Aparentemente menor…
*Valter Pomar é membro do Diretório Nacional do PT.

19 janeiro 2012

José Dirceu excluído por sentença judicial de ação de improbidade

A Justiça Federal concluiu “não haver qualquer indício de ato de improbidade” cometido pelo ex-ministro José Dirceu durante o período em que exerceu a chefia da Casa Civil da Presidência da República, no primeiro governo Lula. Por esse motivo, seu nome foi retirado do processo movido contra ele na 9ª Vara Federal Judiciária do Distrito Federal.

A ação por improbidade administrativa havia sido proposta pelo Ministério Público Federal – o mesmo que, sem relacionar nenhum fato concreto a Dirceu, o acusou de comandar um suposto esquema de compra de votos para que deputados votassem a favor de projetos do governo.

A denúncia, que a mídia e o ex-deputado Roberto Jeferson batizaram de “mensalão”, jamais foi comprovada, mas deu origem a um processo no STF (Supremo Tribunal Federal) contra 40 pessoas, ainda não concluído, e mais cinco contra Dirceu, entre eles este em que agora foi inocentado.

Em sentença publicada no Diário da Justiça, o juiz da 9ª Vara, Alaor Piacini, acolheu a defesa prévia apresentada por Dirceu e seu advogado, Rodrigo Alves Chaves, e o excluiu liminarmente da ação.

Um dos argumentos em que fundamentou sua sentença, segundo o juiz, é que, de acordo com a jurisprudência do STF, ministros de Estado, cargo que Dirceu ocupava quando teria praticado o ato do qual foi acusado, por atuarem sob a égide da Lei do Crime de Responsabilidade, não se submetem à Lei de Improbidade Administrativa.

Além disso, o juiz considerou, ainda, não haver quaisquer indícios de ato de improbidade praticados por Dirceu. Por fim, Piacini, em sua sentença, criticou severamente a postura adotada pelos procuradores da República por proporem cinco ações de improbidade versando sobre os mesmos fatos
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05 novembro 2011

Não custa lembrar, mesmo a Lula, que a luta de classes é permanente

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

Maria Inês Nassif  

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.
A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

68, A Geração que queria mudar o mundo

"A primeira tiragem de 3000 exemplares do livro 68 a geração que queria mudar o mundo esgotou-se em menos de três meses. Sucesso total! Estamos aguardando a segunda tiragem que deverá ficar pronta em dezembro, segundo os melhores prognósticos.


As pessoas físicas ou jurídicas que desejam fazer reserva do livrão, escrevam para mim. Estou criando uma fila. Envie nome completo, endereço completo com CEP e telefone."

Eliete Ferrer - Coordenadora Editorial: eliete@centroin.com.br

15 maio 2011

Ana de Hollanda e a banda de sopros de Mairinque

por Oswaldo Mendes *

Havia prometido ficar longe das tertúlias culturais em torno do poder. Porém, o anúncio de uma homenagem a dois amigos que ajudaram a alicerçar o moderno teatro brasileiro – a atriz Lélia Abramo e o diretor e ator José Renato Pécora – me convenceu a ir ao encontro com a ministra Ana de Hollanda, terça-feira, 10 de maio, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Sem pressa, cheguei atrasado sabendo que estaria adiantado, pois esses eventos nunca começam na hora. Nunca. Na sala identifiquei poucos amigos do teatro, alguns da música popular, dois ou três da dança e do cinema e muitos outros talentos, jovens e nem tanto, aos quais a minha ignorância ainda não reconhece. Preciso sair mais de casa, conclui sem muita convicção.

Ouvi de alguém que a ministra estava atendendo à imprensa e se atrasaria um pouco. O que me levou a ir fumar na rua, pois na Assembleia não se fuma nem nas vastas áreas abertas. Belo exemplo dos nossos legisladores, que poderia ser aplicado a outros cuidados com a saúde e o bem-estar dos contribuintes e não só aos males do tabaco. Na área externa da sala do evento, os jovens músicos da banda municipal de Mairinque estavam a postos. Sem impaciência, como nós fumantes. Foi o tempo de dois cigarros para a banda começar a sua apresentação, mesmo sem a presença da ministra. Com alguns outros gatos pingados me postei à frente do conjunto de sopros, meninos e meninas na maioria, quase crianças. Talentos anônimos e em formação sempre me emocionam. De repente, fui deslocado do meu lugar privilegiado na pequena plateia por um batalhão de fotógrafos, cinegrafistas, jornalistas, políticos e gente que suponho muito importante e que se acomodou diante da banda, agora cercada de ilustres ouvidos. Suponho ilustres, pois também para identificar celebridades a minha ignorância continua infinita. Flores do pequeno clarinetista para a ministra, aplausos e fotos, muitas fotos. E mais algumas músicas, de hits de Michael Jackson a Adoniran Barbosa. No balanço final, confesso que a banda de Mairinque foi o item que mais me comoveu.

A tarde, entretanto, estava apenas começando. Antes dos finalmentes, fomos submetidos ao enfadonho protocolo, com o locutor oficial desfilando nomes e mais nomes de excelências presentes. Nunca vi tantas excelências em um evento da Cultura (maiúscula ou minúscula?). Raramente, ou nunca, vi uma delas no teatro. Enfim, deram a palavra à ministra. Como prometido, Ana de Hollanda fez rápida menção ao centenário de nascimento da atriz Lélia Abramo e à morte recente de José Renato, criador do Teatro de Arena de São Paulo, espaço sob os cuidados da Funarte e que há tempos não recebe uma temporada regular de teatro – recentemente serviu até para depósito de catálogos da Bienal. Reduziu-se a isso a homenagem a Lélia e Zé Renato que me fez sair de casa. Percebi logo que ninguém, a não ser eu e alguns desavisados, estava interessado em homenagear quem quer que fosse. Farinha pouca, meu pirão primeiro. Essa era a frase que parecia estampada em muitos rostos. Não é de hoje que as questões da cultura (minúscula, de propósito) se reduziram a esse “cadê o meu?” e a uma disputa política, não importa o partido, por um poder que não sei bem qual é.

Espera, acho que sei sim que poder é esse. Ao ouvir tantos discursos, de apoio e de crítica à ministra, alguns até ponderados e razoáveis, fiquei pensando nas razões que colocaram Ana de Hollanda na berlinda tão depressa. Eu a conheço de raros e cordiais encontros no passado. Se a gente se encontrar na rua, certamente ela não me reconhecerá. Portanto, o meu carinho e o meu respeito por ela são gratuitos, muito longe da política e do partido no poder. Desconfio que existe um não declarado pacto entre grandes interesses negociais e pequenas disputas partidárias. As questões da Cultura não têm mais nada a ver com artistas e produtores culturais. O buraco é muito mais embaixo. O tema da discórdia – direitos autorais – não tem a ver com os autores, mas com os que usam a sua obra. Bom não esquecer que a imprensa, aquela que influi e forma a opinião pública, em boa parte pertence ou está associada a empresas de comunicação de grande porte, muito sensíveis à questão dos direitos autorais. Logo, é possível questionar, sim, a sua isenção. Basta ler o noticiário do dia seguinte ao evento na Assembleia em São Paulo.

Não li uma linha sobre a banda de Mairinque, a pífia homenagem a Lélia e ao José Renato ou os discursos ouvidos e respondidos pela ministra – fatos que, como cidadão e ex-jornalista, testemunhei. Li apenas, e isso não testemunhei nem a maioria dos presentes, que Ana saiu escoltada do recinto. Com direito a uma foto em que ela parece esconder o rosto. Ora, esconder o rosto pra quê e de quem? Isso a legenda não explica. Mas uma foto vale mais que mil palavras – não é o que ainda se ensina nas escolas de jornalismo e nas redações? Está na hora de a imprensa – e os seus profissionais – despir-se de seu manto de vestal. Sempre desconfiei dos que usavam, e usam, a defesa da liberdade de imprensa para encobrir os interesses da empresa jornalística. A liberdade de imprensa só se sustenta se amparada no direito à informação, que diz respeito a toda sociedade e a cada cidadão. Não faltam exemplos do exercício da censura pela imprensa (ou, se quiserem, das empresas jornalísticas) a informações de interesse público. Mas essa é outra história e, antes que se insinue o contrário, sou contra qualquer controle e restrição à liberdade de quem quer que seja, incluída a imprensa, além dos limites fixados em lei – como a restrição à minha liberdade de fumar em recintos ou áreas públicas, restrição que lamento mas acato sem espernear.

Resumo da ópera: é preciso ler o que está no avesso desse noticiário sobre a corda bamba em que vive Ana de Hollanda. Por que, de repente, o Ministério da Cultura recebe tanta atenção, até de articulistas sem nenhum histórico de preocupação com os temas relevantes da área? Política? Não. Como diria Bill Clinton (foi ele mesmo quem disse?): é a economia, seu idiota! É a economia! Isso vale tanto para os que correm o pires, catando as migalhas do orçamento do Ministério, como para os que têm grandes negócios e interesses em vista. E no meio do fogo cruzado, Ana ainda leva cotoveladas partidárias dos companheiros que se sentem ameaçados.


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* Oswaldo Mendes é ator, diretor e autor de teatro, atualmente em cartaz no elenco de “12 homens e uma sentença”, no Teatro Imprensa, em São Paulo.







Aproveitamos também para repassar o convite da Cecilia para assistir a estréia de seu filho Flavio Guarnieri em ELES NÃO USAM BLACK-TIE