08 janeiro 2007

IMPOSTOS: Quem é o vilão?

Na política a inteligência de um agente deve ser apreciada pela capacidade que ela possui em transferir a responsabilidade pelos problemas ou erros aos adversários políticos ou aos inimigos de classe.
É moda no Brasil a crítica severa á carga tributária. É claro que a moda está espelhada nos EUA, modelo eterno para nossa classe dominante. Exemplo disso é a intensa campanha da mídia, leia-se Rede Globo e suas afiliadas, apoiada pelos setores comerciais e industriais – que agora pousam de paladinos da defesa da cidadania - sobre a carga de impostos elevados e anti-crescimento econômico. Veja o que diz a ACSP!
Até pouco tempo, a maioria da população acreditava que estava livre dos impostos. Ou que pagava, no máximo, o Imposto de Renda, o IPVA ou a CPMF. Felizmente, pouco a pouco esta realidade começa a mudar. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) tem desenvolvido um conjunto de ações visando esclarecer a população brasileira de que todo cidadão, até mesmo aquele que atua na economia informal, paga impostos e é, portanto, um contribuinte. E que ser informado, de maneira transparente, sobre o quanto paga de impostos é um direito previsto na Constituição.(Parte do texto de apresentação da página www.impostmetro.org.br que “mede” o imposto pago no país em cada segundo)

É absolutamente correto e louvável a prática de manter o cidadão informado de quanto ele paga de imposto em cada produto ou serviço. Aparentemente tudo na PAZ, mas é claro que neste caso o vilão é o Leão, leia-se: GOVERNO FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL.
Conclusão: O Governo cobra imposto elevado, ele é o responsável... ERRADO
Aí mora o perigo. Os paladinos da cidadania induzem todos a um grave erro: Não falam que a sonegação de impostos é elevadíssima. Então não adianta acreditar que os impostos pagos pela população chegam no destino. Observem:

A sonegação fiscal cresceu de 2002 para 2004 entre as empresas, mostrou estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). De acordo com o estudo, 29,45% das empresas pesquisadas em 2004 apresentaram "fortes indícios de sonegação fiscal". Em 2002, 27,53% das empresas ouvidas se enquadravam na mesma situação. Nesse período, a sonegação subiu 6,97%. (...) De acordo com o estudo, os tributos mais sonegados são: Imposto de Renda (27,02%). ICMS (26,95%), PIS e Cofins (23,43%), CSLL (24,81%), ISS (25,66%), IPI (18,85%), INSS (29,47%), entre outros. (Publicado em http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u99401.shtml acessado em 08/01/2007)

Há quem diga que para cada R$ 1,00 pago de imposto R$ 1,00 é sonegado.
Então vale uma pergunta simples que a Rede Globo e as suas afiliadas nunca fazem:
Onde ficam os impostos pagos e não recebidos pelos Governos?

Um comentário:

Miguel disse...

Outra coisinha que andei "matutando" nessa questão de impostos é que, o estado realmente é o grande culpado e na verdade o guardião legal da massa de manobra que os comerciantes, industriais, prestadores de serviços, enfim, tem. Explico:

1) Para que o "patrão" tenha mais lucro e ganhe muito mais, ele tem que sonegar e PAGAR BAIXOS SALÁRIOS;
2) Para se pagar baixos salários, tem que ter pessoas desempregadas em excesso e que aceite qualquer "esmola";
3) O desemprego gera o assistencialismo governamental que, sem dinheiro, ou empresta a juros ou gera mais impostos (aos que pagam) e o ciclo se perpetua numa corrente sem fim.
4) A sonegação gera a "propina" ao fiscal, ou fiscais;
5) O estado tem que contratar mais fiscais, portanto, inchando a máquina, gerando mais despesas e mais empréstimos e impostos;
6) Novas medidas são tomadas por parte dos "comerciantes";
7) Transporte de mercadorias em caminhões com excesso de peso, destruindo as estradas que;
8) O governo tem que arrumar, com mais dinheiro, mais impostos, mais contratação de policiais federais, estaduais, etc...

O estado é o povo, é o comerciante, é o industrial que tem seus representantes.

É o problema a ser resolvido.

Miguel